Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Graforreia Intermitente

Opinadelas, Politiquices, Ordinarices, Música, Cinema, Lirismo, Contos e muito mais!

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Politiquices: Esquerda radical e oportunismo

Mais uma vez aproveito este espaço para lançar a controvérsia sobre a minha posição política e as minhas opiniões, assim como sobre as minhas críticas pouco agradáveis.

Contudo, vou poupar – para já – a esquerda e centrar-me (escolha peculiar de verbo nesta frase) na esquerda radical ou extrema-esquerda ou lá como os ajuntamentos de indivíduos que gostam de movimentos cool e manifestações festivas se gostem de intitular.

Para mim, estes últimos “partidos famosos”, Podemos e Syriza, nada mais são que o resultado do oportunismo de alguns face ao desespero da maioria. E ganham a sua fama e credibilidade da mesma forma que um concorrente de reality show tenta cativar votos favoráveis simulando romances, relações sexuais, atos violentos e segredos polémicos. Ou como uma cantora que até tem boa voz mas prefere assumir uma versão pimba para se despir mais que o normal nos seus espetáculos e encher uma sala com os espetadores que se cansaram do Pérola Negra. Ou um péssimo cantor que, com muito dinheiro de investidores abastados, consegue gerar uma onda de marketing tal que enche salas e aparece na televisão, sem que se questione o seu verdadeiro talento. Em todos estes exemplos, alguém “estuda” aquilo que o Povo quer e entrega-lhe um produto deficiente numa bandeja de ouro maciça – bem, na verdade é só banho de ouro num pedacito de lata.

E é assim que vejo estes novos partidos. Como monstros semelhantes à criação do Frankenstein, juntando peças e pedaços, paridos por um relâmpago de boas intenções numa noite de tempestade – sendo que, para já, todos querem ser o pai, mas quando der para o torto e forem perseguidos por tochas e enxadas dirão que a culpa é dos liberais. De boas intenções... E também como oportunistas que prometem dar ao Povo aquilo que lhe foi retirado ou aquilo que merece, sem saberem exatamente como o fazer de uma forma viável, porque o que interessa é ganhar as eleições, o que interessa é ganhar protagonismo. 

 

Conto: “Haverá sempre finais felizes!”

Estancou o passo. Calmamente procurou o smartphone no bolso das calças. Desbloqueou o ecrã com o pin que sempre utilizava para tudo – 1986, o ano do seu nascimento. Abriu a lista de contactos, procurou um nome e parou o polegar sobre a tecla de chamada, mas não tocou no ecrã. Desistiu. Procurou um outro nome na mesma lista, mas uma vez mais hesitou em fazer a chamada. Uns breves segundos e voltou a desistir.

Regressou ao ecrã inicial. Abriu o Whatsapp e percorreu a lista de conversas. Nenhuma mensagem nova. Mas isso era algo que já sabia, pois não tinha recebido nenhuma notificação. Debruçou-se sobre o varandim da ponte e foi lendo as últimas conversas. Não tinha nada a responder, nenhuma palavra, nenhuma frase que o fizesse retomar pelo menos uma daquelas conversas.

Afastou o olhar do ecrã e fixou-o no horizonte onde o sol desaparecia no mar, manchando o azul celestial de alaranjado. Abriu a câmara do smartphone e ergueu-o em frente à cara. A câmara frontal estava ligada e pode ver-se no ecrã. O gorro negro enterrado até aos olhos, condizendo com as suas olheiras. Os lábios torcidos num amargo sentimento.

Alterou para a câmara posterior e fotografou o pôr-do-sol. Partilhou a imagem no Instagram e Facebook com uma simples frase: “Haverá sempre finais felizes!”.

Viu os likes somarem-se. Leu comentários que enalteciam a beleza da foto. A interação daqueles amigos gerou um pequenino foco de calor no seu íntimo entorpecido. Todavia um calor efémero. Pousou o smartphone no chão junto a um pilar.

Dias depois no mural do seu perfil liam-se inúmeras publicações de amigos: “Haverá sempre finais felizes!”.

 

 

Opinadela: Jornalismo ascoroso - ou Porque não vejo o telejornal

Os títulos óbvios têm esta vantagem: quem começar a ler este texto já sabe que me vou debruçar sobre o Jornalismo e que não serei propriamente muito agradável.

Para bem da minha própria consciência, tenho de começar por afirmar que respeito a profissão, que reconheço a sua importância, que sei que existem bons profissionais no jornalismo (tal como em todas as profissões), que todos os que trabalham por contra de outrem se vêm obrigados a cumprir determinados parâmetros e objetivos que lhes garantam o soldo, e que não se devia generalizar certas situações. Mas há coisas que quando me irritam. Que me fazem ferver o sangue e acabo por ter uma verborreia (quase) ofensiva.

Bastou-me ver ontem uma reportagem sobre pescadores desaparecidos no mar para que uma habitual verborreia passasse a uma graforreia. Mas por que raio foi preciso perseguir o primeiro sobrevivente no hospital quando era mais do que óbvio de que o senhor não pretendia prestar declarações nesse momento? Por que carga de água é que têm de obter declarações dos familiares daqueles que ainda estavam desaparecidos, nos seus momentos de sofrimento? Pior! É mesmo preciso mostrar na mesma reportagem um funeral anterior de vários pescadores de Caxinas numa anterior tragédia similar?

Para mim o Jornalismo tem como objetivo principal a divulgação (em massa) de informação ESSENCIAL. E é isso mesmo que me interessa: o essencial. O naufrágio da embarcação, a luta pela sobrevivência de um dos pescadores e o facto de alguns pescadores ainda estarem desaparecidos é uma informação essencial no sentido em que me inteira sobre os riscos desta profissão e as dificuldades que os pescadores e suas famílias enfrentam. Mas não preciso de assistir ao sofrimento das famílias, aos funerais ou ao assédio violento dos jornalistas em busca de declarações.

 

Pág. 1/2

Pesquisar

 

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D